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Como a Plataforma Leu uma Regra de Triagem

Regra de triagem é texto subjetivo. "Dossiê completo", "em tempo hábil", "documentação adequada" — nada disso tem uma definição única, e é a IA que decide o que cada expressão significa na hora de avaliar um processo. Quem escreve a regra não tinha como saber qual leitura o modelo adotou: descobria depois, laudo a laudo, quando a triagem apontava conformidade onde não havia (ou o contrário).

O painel Como a plataforma leu esta regra, na tela de Regras de Triagem, fecha essa lacuna. Ele mostra o que a IA entendeu — e faz essa leitura à luz de três coisas ao mesmo tempo:

  1. o texto da regra;
  2. o texto real dos artigos do código processual do contexto marcado, quando a regra cita algum;
  3. a jurisprudência vinculada a esses artigos, quando o contexto tiver alguma.

Veja também: validação de referências normativas, que confere se os dispositivos citados existem na base e mostra o texto integral de cada um; e geração de regras com IA.

Um painel só

Até agosto de 2026 havia dois painéis fazendo quase a mesma coisa — "Testar o entendimento da IA" e este. Os dois mandavam o texto ao mesmo modelo, com o mesmo prompt, e desenhavam os mesmos blocos. Duas portas para a mesma sala obrigavam quem escreve a regra a descobrir, por tentativa, qual delas valia.

Ficou um, e ele responde por dois estados:

EstadoO que o botão fazGrava?
Regra já salva (painel de detalhe)Ler agora / Reler relê a regra gravadaSim — a leitura fica junto da regra e passa a valer na busca
Regra nova (janela de criação)Ler agora lê o texto que está na telaNão — é prévia; o rodapé avisa

Nos dois estados o prompt e o modelo são os mesmos que a plataforma usa ao salvar. O que você lê é, literalmente, a leitura que a triagem vai usar — não uma segunda opinião produzida por outro caminho. Um prompt separado só para "explicar" divergiria do de produção no primeiro ajuste, e você passaria a validar uma compreensão que nunca executa.

Se você editar o texto de uma regra já salva, o painel avisa que há alterações não salvas e que a leitura exibida é a do texto gravado. Salve para a plataforma relê-la.

O que aparece

BlocoO que diz
VerificaO que a regra checa, em uma frase.
Como a IA entendeuEm linguagem corrente, como o modelo leu os pontos subjetivos do texto — onde há margem de interpretação e que leitura ele adotou. É o bloco pelo qual você julga se a regra foi compreendida.
Pontos a conferirO que a regra, como está redigida, deixa em aberto diante do dispositivo citado ou do entendimento das cortes: condição que o artigo exige e a regra não menciona, ponto em que ela vai além do texto legal, tese que restringe a leitura literal. Fica vazio quando não há nada a apontar — o modelo é instruído a não inventar ressalva para preencher o campo.
CritériosAs condições objetivas que, para o modelo, caracterizam o cumprimento.
Também aparece comoAs formas equivalentes de escrever o critério que a busca vai procurar nos autos — é o que faz a triagem alcançar o processo que usou outras palavras.
Evidência esperadaQue peça do processo comprova (despacho, certidão, petição, decisão, ata).
Base considerada na leituraRecolhido por padrão. Lista os dispositivos e as decisões que a plataforma de fato entregou ao modelo.

No rodapé, o modelo que produziu a leitura e — na regra salva — a data; na prévia, o aviso de que nada foi salvo.

Por que a "Base considerada" existe

Sem ela, dois estados diferentes produzem a mesma explicação e você não tem como distingui-los:

  • a regra não cita dispositivo nenhum;
  • a regra cita, mas o artigo não está cadastrado naquele contexto.

O bloco é fato apurado, não saída do modelo: ele lista o que a plataforma enviou. Quando não há nada, o painel diz isso com todas as letras — "leitura feita só com o texto da regra".

O código processual entra na leitura

Quando o texto da regra cita um dispositivo — "Art. 313", "art. 6º" —, a plataforma carrega o texto real daquele artigo e o entrega ao modelo junto da regra. A explicação passa a ser feita à luz do código, não no vazio.

Isso resolve um problema que não dava erro: termos como "manifestação adequada" ou "em tempo hábil" mudam de sentido conforme o rito, e sem o dispositivo o modelo escolhia um sentido plausível — exatamente o formato mais difícil de conferir para quem está justamente conferindo o entendimento dele.

De onde vem o artigo. Do contexto (ou contextos) marcado na própria regra, na tela. Se você marcar CPC e CPP, os dois blocos vão ao modelo, cada um identificado pelo seu código — porque o mesmo número é coisa diferente em cada um: o Art. 313 é suspensão do processo no CPC e prisão preventiva no CPP.

Sem contexto marcado, nenhum artigo é carregado. A leitura acontece do mesmo jeito, só sem a âncora. É deliberado: adivinhar um código padrão faria a regra de um contexto novo ser lida sob a lei errada, e o erro sairia como uma explicação convincente. Vale também quando o dispositivo citado não está cadastrado naquele contexto, ou quando a base está fora do ar — a leitura nunca deixa de acontecer por causa disso.

A jurisprudência entra junto

Ter o texto da lei não basta: as cortes já decidiram sobre boa parte dos artigos, e às vezes de forma que restringe ou amplia a leitura literal. Uma regra correta diante do texto pode estar errada diante da tese firmada.

Por isso a leitura também recebe as decisões vinculadas aos dispositivos citados, e é delas que saem a maior parte dos Pontos a conferir.

O que a plataforma envia. Uma amostra, e ela é declarada como amostra: para cada artigo o modelo recebe quantas decisões existem e quantas está vendo. Isso não é detalhe — sem a declaração, três acórdãos seriam lidos como o acervo inteiro e a regra passaria a valer sobre uma certeza fabricada pelo recorte.

Como as decisões são escolhidas. Primeiro pelo peso — súmula vinculante, repetitivo e repercussão geral vêm antes de acórdão comum — e, no empate, da mais recente para a mais antiga. É a mesma escada de pesos que a triagem usa ao avaliar um processo; dois critérios diferentes de "decisão mais forte" fariam o painel mostrar uma decisão e a triagem pesar outra.

Artigo ou inciso. Citar um inciso ("art. 6º, III") traz a jurisprudência do artigo que o contém. Não é simplificação: no grafo, as decisões estão vinculadas ao artigo, nunca ao inciso isolado.

Quando não há decisão nenhuma, o painel diz isso — "nenhuma jurisprudência cadastrada para os dispositivos citados neste contexto". O silêncio seria lido como "a plataforma não olhou", quando ela olhou e não achou.

Permissões

AçãoPermissão
Ver a leitura gravadaRULES_VIEW
Reler uma regra salva (grava)RULES_EDIT
Ler a prévia de uma regra nova (não grava)RULES_TEST

Conferir se o modelo entendeu uma regra não exige permissão de escrever: a prévia usa a mesma permissão do validador de referências normativas, ao lado.

Quando a IA não responde

A leitura depende do modelo de linguagem. Quando ele não responde, a tela diz o motivo em vez de ficar em branco:

MensagemO que fazer
"A leitura de regras por IA está desativada nesta instalação."Um administrador habilita em Configurações.
"O modelo demorou mais de 60 segundos para responder."Tente de novo, ou reduza o tamanho do texto da regra.
"O modelo respondeu, mas fora do formato esperado."Tente de novo; se persistir, avise um administrador.
"Não foi possível falar com o modelo de IA agora."O serviço de IA está indisponível. Tente mais tarde.

Nenhuma dessas situações impede criar ou salvar a regra: a leitura é uma conferência, não uma etapa obrigatória. Quando ela falha no momento de salvar, a regra fica sem leitura e o botão Ler agora a produz depois. A releitura roda em segundo plano e leva alguns segundos; a tela avisa que está relendo e se atualiza sozinha quando termina.

Enquanto ela corre, uma barra de progresso aparece abaixo de Como a plataforma leu esta regra, com a etapa atual nomeada. São quatro etapas: carregar a regra e o contexto, localizar os dispositivos e a jurisprudência citados, gerar a leitura com a IA, gravar e indexar. A barra anda por etapa concluída, não por tempo — a terceira é a chamada de IA e sozinha responde por quase toda a espera, então é normal que a barra fique parada nela por dezenas de segundos. Isso é o que de fato está acontecendo.

Quando usar

  • Ao escrever uma regra nova, antes de criar: o texto ainda não precisa estar salvo. Se a leitura não bate com a sua intenção, reescreva a regra e peça de novo — a subjetividade se corrige no texto, não no modelo.
  • Ao editar uma regra existente, para conferir o efeito da alteração.
  • Ao herdar uma regra de outra pessoa, para entender como ela é aplicada de fato.
  • Sempre que a regra citar um dispositivo, para ver se ela continua correta diante do que as cortes decidiram sobre ele.